Tuesday, November 26, 2013
Monday, April 29, 2013
Ergueu-se em quatro paredes
de plástico,
Carregou-se em quatro cruzes
de pântanos,
Tropeçou em quatro linhas de
relâmpagos,
Derretendo as pernas
causticas.
Fechou-se em três pares de
guilhotinas,
Caiu-se em três lâminas de
avenidas,
Voou em três sentidos
dispersos,
Chamando, estrangulado, por
mães divinas.
Sentou-se em duas pedras no
aproximar da morte,
Gritou-se duas vezes em pai,
irmão e amor,
Chamou em dois versos de
sorte,
O nascer e o morrer sem dor.
Caminhou-se em uma direcção,
Ir-se sem retorno e na
confusão,
Sussurrou mãe, mãe, mãe
E lá, não estava mais que
ninguém.
Tuesday, January 08, 2013
Horta dos Incêndios
Senhor Poeta, tome a benção
Na horta dos incêndios,
Desçamos ao calor dos infernos
E, de repente, na poesia possamos
Queimar toda e qualquer emoção.
Nela aplicar todas as catástrofes,
Todas as bombas nucleares do coração,
E nela respirar, soltando um não.
Olhe olhe, senhor poeta,
Desçamos cúmplices aos hospicios
E na loucura, juntos e em linha recta,
Rasguemos, depois de nos amarrarmos,
toda a podridão.
Saturday, September 08, 2012
Fundo Ateu
No teu fundo ateu,
Sem pátria nem Deus,
Lembra-me o bolso vazio
No cifrão do teu coração
cheio.
No teu fundo ateu,
Onde não há sonho vão,
Lembra-me o pesadelo são
De putas e vinho com pão.
No teu fundo ateu,
Sem Olimpos nem Carnavais,
Lembra-me a festa crua
Naquela nudez que é só tua.
Justiça, educação e saúde
Dás de forma gratuita e pagã
Nas formas do teu corpo,
Ora de linho, ora de lã.
Sunday, August 19, 2012
Friday, June 01, 2012
Sunday, April 08, 2012
Tuesday, February 21, 2012
Comemos sem horas, com relógios, quase que propositadamente para o atraso. Chama-me pelo nome para jantar, pondo os pratos ainda lavados para detalharmos os pormenores deste atraso, do sabor a café na ponta da língua. Cigarros, esses, contamos por entre os dedos e apagamos os ponteiros nas suas pontas. Migalhas foram e sobraram do vento que passou. Na parede estás tu e eu na cama, quando acabaram as cinzas e as mortalhas. Fotografias quase rasgadas. Apagamos a luz e o tempo começa a contar.
Saturday, December 24, 2011
Saturday, November 05, 2011
Tuesday, July 05, 2011
Wednesday, February 09, 2011
Bebedeira de Ser Ninguém
Viver é doer e porque é preciso anestesiar, vamos hoje afogar a dança em álcool, vamos hoje sonhar com o impossível. Os corpos sãos e as mentes doentes são o desenho do dedo no escuro, são a forma explícita de Deus ateu a matar crescendo em nós. Ele. O criador que destruiu. Vamos então hoje lançar a pista até amordaçar os pés ao chão do céu, por entre esta bebedeira surda de ser ninguém.
Fotografia: David Galdino
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