Monday, April 29, 2013
Tuesday, January 08, 2013
Horta dos Incêndios
Senhor Poeta, tome a benção
Na horta dos incêndios,
Desçamos ao calor dos infernos
E, de repente, na poesia possamos
Queimar toda e qualquer emoção.
Nela aplicar todas as catástrofes,
Todas as bombas nucleares do coração,
E nela respirar, soltando um não.
Olhe olhe, senhor poeta,
Desçamos cúmplices aos hospicios
E na loucura, juntos e em linha recta,
Rasguemos, depois de nos amarrarmos,
toda a podridão.
Saturday, September 08, 2012
Sunday, August 19, 2012
Friday, June 01, 2012
Sunday, April 08, 2012
Tuesday, February 21, 2012
Saturday, December 24, 2011
Saturday, November 05, 2011
Tuesday, July 05, 2011
Wednesday, February 09, 2011
Friday, November 05, 2010
Fotografia: José Torres
Tuesday, April 27, 2010

Pega o meu peso morto
Que chega somente pela manhã
E anoitece-me de beijos,
Esses traduzidos em nada.
Ai! O álcool da tua boca
Que me embebeda longe
E bem perto do teu corpo,
Esse letrado de suor.
Joga-me e roga-me
Na orelha pendurada na língua,
No teu bizarro odor,
Esse que tapa-me o coração.
(Fotografia - Ana Hierro)
Friday, February 26, 2010
Nascimento Nasceste de novo para mim,
Já de nada nos faziamos,
Já de fim me construía
Por entre chamas de pó.
E de repente,
Não mais que de repente,
Tornou-se o passado em presente
E de nada nos viviamos.
Nasceste do nada
Para nos matarmos novamente,
Para que a essência se evaporasse,
Já apagada de tinta entornada.
Foi-se ficando devagar,
Calando-se a sede,
Voando-se pelo mar
Porque és o sonho que dói
E o limite do imaginário em mim.
Sunday, February 14, 2010
Adeus AvôDisse-me o velho que vivia só na morte, que se sepultava em cada lembrança e em cada momento. A sua fatal doença era a vida e todo o tempo roubado que nunca chegou a ter. Matava-se no fumo do caminho, vendo sempre o seu fim desde cedo. A palavra mais sentida era o adeus e, por isso, a mais pesada de se dizer em todas as bocas. Mordia os lábios para o silêncio agarrar. Era um grito calado pela dor das horas passadas, pelo frio esquecimento de viver e de se existir sobrevivendo. Enterrava-se em pensamento e em corpo porque leve era a solidão. Era uma questão de talento, de fuga ao quotidiano, ao gelado calor de um aperto de mão. Disse-me o velho enquanto nascia em cada ruga, em cada sua pequena morte.
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