Wednesday, March 04, 2009
Wednesday, December 03, 2008
Saturday, August 16, 2008
Sunday, June 01, 2008
Sunday, December 02, 2007

A palavra amor
Cospe-se dentro do corpo por se achar gigante a palavra amor. E surda me diz a palavra engano a cada vez que sonho para me matar de seguida. Limpa-se a alma dentro de ti pelos nós da garganta que desatei em cada beijo. E calado me sopra ao ouvido o verso de carne sobre carne, amor sob amor. Suja-se a pele em nós por se amassar cada grito dentro da boca em asfixia. E morto me dizem que afinal a vida acabou sem começar pelo medo de existir. Inspira-se o pó para dentro de mim por ti e inertes em cansaço nascemos para gastar o que não sabemos ter. E mudo me diz o poeta pela palavra que o amor é por ti e sem ti. Somente porque sim.
Sunday, August 26, 2007
Thursday, June 07, 2007
Saturday, May 12, 2007
As palavras do poetaAs palavras do poeta que por o ser ama sem limites, sem olhar a vírgulas ou a pontos finais, sem olhar ao seu próprio fim, apenas por ter medo de perder aquilo que achou e é só seu. E porque existem coincidências saborosas de se beberem, mesmo sem passado, onde escorre o ar que o amor respira. E porque penso-te sentindo demais, transpiro infinito desejo tendo toda a saudade tatuada no corpo. Gritos são as palavras eternas do poeta, o teu poeta, cuja a morte acontece no fim do amor total. A ti, meu verso e rima, porque te amo.
Saturday, April 14, 2007
Morreste-meMorreste. Engoles as palavras por entre a saliva já sem sabor, já tão vazias de nós. Morreste em cada silaba deglutida por ti, em cada frase que te viola o ser e te deixa despida. As letras caem para dentro de ti e nada fazes. Caem. E nada. A queda já não te dói. Já nada te dói. Morreste mesmo antes de nascer, mesmo antes de termos acontecido numa só vida, num só corpo, num só amor. A língua fala para dentro, para o interior da boca, e a voz cala. Silêncio. Tu e o teu palato seco. Os dias coseram-te os lábios e nem com a força dos dedos eles descolam, aprendeste a calar-te. Morreste calada viva, morreste por não saberes ser tu.
Sunday, April 01, 2007
Friday, February 16, 2007
Passo a passoDepois da música de fundo, ouviu-se os saltos altos. Aqueles que se sente paixão pelo passo, pelo andar subtil de assassina, pelo homicídio de cada gesto simples do andar. Aqueles que suportam o peso do corpo onde o frio se transforma rapidamente em calor. Aqueles que abafavam a tonalidade do ar, a melodia que havia em cada ouvido e em cada ruído dito por ela. Medo diziam os pés. Calcavam veneno. A bala atingiu o peito do desconhecido mas a música, essa ainda se escuta dia após dia. Meu amor, minha música.
Saturday, December 23, 2006
Tuesday, October 17, 2006
Tuesday, August 29, 2006
Saturday, August 05, 2006
Horas paradasSempre que o relógio me cativar me lembrarei de ti, meu amor, em todos os momentos em que contamos os minutos para a morte. Seremos sempre os amantes finitos pelo tempo com toda a dor pelas horas, sempre as horas. Sempre que o cronómetro parar antes da meta, irei correr ferozmente para ganhar e chegar em primeiro, pois sem tempo os corpos se conservam e a decomposição afectará apenas o interior de nós num destruir abstracto, de aparência apenas... Os ponteiros entre nós sempre se congelaram porque o tempo, o nosso tempo, era maior... Enganamo-nos tanto, mentimo-nos perante o mundo, perante as horas, perante o relógio que teima em não parar. Enganamos a morte, ou melhor fingimos que a enganamos, mas não, quem perdeu foi o corpo só que éramos.
Saturday, July 15, 2006
Monday, June 12, 2006
Curvas do querer Deixar-me ir sem corpo de carne solta nos dentes, na pele. Deixar-me ir quebrando ossos com fome de cão. Ir apenas. Com fome. Querer mais sem saber o quê, se eu, se tu. Se nós. Esvoaçar-me de braços ao vento e pensar que mais me falta e mais morderei de unhas cerradas. Querer por mais. Mais. Mais eu. Quando e onde não sei, apenas que me levar a mim para longe. Para mim de volta. Sim, de volta para mim. Para longe. Para a eternidade. Canto-te vida na boca áspera de tanto gritar por ti, sem ter dedos que te agarre, te prenda ao colo, ao útero virgem do coração. Deixar-me ir. Deixar-me ir. Deixar-me ir para ti. Para mim. Simplesmente o querer, o querer o desejo de mais.
Sunday, June 04, 2006
Thursday, May 18, 2006

Traficante de amor
Sabes que ainda vives em mim e que todas as palavras que te disse ao ouvido bem baixinho não se esgotaram. Sabes que ainda ardo ao pensar em ti assim como ardeu o meu corpo no teu em todas aquelas noites, tardes, manhãs. Sabes que sinto falta de todos aqueles pequenos silêncios vindos do nada e que tanto nos falavam e transcreviam para o espaço. Sabes que por mais que seja a distância a minha heroina ainda és tu e, feliz ou infelizmente, a ressaca torna-se cada vez maior. Preciso de ti, preciso de nova dose. Talvez te procure pelas ruas à espera que alguém me venda um pouco de ti.
Tuesday, April 18, 2006
Asas de Louco Ser-se inteiramente louco é transportar em si a vontade da destruição de uma realidade que não a sua. É querer mais do que o eternamente possível e impossível, é ser-se mais e mais para além de si próprio, procurando pelo tempo um terreno inseguro mas seu. Caminhar pela loucura do para lá do real é caminhar rumo ao desconhecido buscando não uma morte finita, mas uma vida infinita que perdura além do apodrecer dos corpos... Ser-se simplesmente louco, ser-se simplesmente irreal dentro da própria realidade.
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