
Traficante de amor

Asas de Louco 


Máscara de pessoaPara um poema - (excerto do poema "Adiamento" de Álvaro de Campos, interpretado pelos Coldfinger)
(...)
Depois de amanhã, sim, depois de amanhã
Levarei amanhã a pensar
Em depois de amanhã
E assim será possível,
Mas hoje não hoje nada, hoje não posso...
(...)
Para lá do fumo
Quando dói sem razão porque afinal não a sei, uma vez que nada me foi demonstrado, culpo-me a mim e à minha ingenuidade tão frágil por tal. Danço assim, solitariamente, num palco sem chão e voo, mesmo sem ter asas para voar, em direcção a um céu que não existe. Talvez por isso eu caia tantas vezes, por muito que me chamem à atenção e me digam “Tem cuidado!”. Porém, continuo por aí a cair e a levantar-me, ora com ajuda ora sem, convicto que a mim me pertenço, andando ao sabor da maré, não sabendo, no entanto, em que mar navego. Se sei viver ou não, não o sei dizer... Talvez sim, talvez não. Enquanto isso vou caindo e me levantando para aprender a saber ser.
A poesia arranha quando vai para além do concreto em nós, quando nos descobre naquilo que tanto escondemos de todos. Raspa e dói por vezes mais do que a própria força bruta, por isso mesmo se torna tão única, inesperada e bela. Descobre-me e corrompe-me para lá do imaginário, para lá, muito para lá de mim, para lá do tempo da própria vida. Ela ficará, eu não. Outros marcará com as suas palavras velhas, mas nunca gastas, escritas para a eternidade.Nalgum lugar perdido - Mafalda Veiga
Olhar-te um pouco
Enquanto acaba a noite
Enquanto nenhum gesto te magoa
E o mundo fora aquilo que sonhares
Nesse lugar só teu
Olhar-te um pouco
Como se fosse sempre
Até ao fim do tempo, até amanhecer
E a luz deixar entrar o mundo inteiro
E o sonho se esconder
Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti
Enquanto dormes
Por um momento à noite
É um tempo ausente que te deixa demorar
Sem guerras nem batalhas para vencer
Nem dias para rasgar
Eu fico um pouco
Por dentro dos desejos
Por mil caminhos que são mastros e horizontes
Tão livres como estrelas sobre os mares
E atalhos pelos montes
Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti

Mais um